Fazer teatro de minhas feridas



(Tem música no rodapé)

Eu não quero sarar meus cortes, fazer teatro de minhas feridas. Eu não quero falar dela, não vou permitir-me corromper assim, fácil como um descrente. Eu não vou soprar as velas e não vou deixar-me ser soprada pelo vento.
Não vou falar sobre a infantilidade, não vou falar sobre eu não ter sorrido hoje. Não vou falar da minha luta contra o egoísmo nem das apostas que faço comigo mesma e sempre perco. Eu não vou falar de morte, de corte, de sorte. Eu nunca soube ser forte.
Eu vou falar de uma coisa. E será apenas uma coisa. Uma coisa que sou, uma coisa que quero, uma coisa que quero que um dia acabe e mal posso esperar pelo seu fim. Mas que seja ele macio.
Há momentos raros aqui, em que eu consigo adorar com muito do que sou. São momentos onde consigo perdoar-me, deixar estar-me, enfim. A chuva começa, a luz me visita, a vida
começa. É um momento santo, uma oração muda, um choro que não tem fim. É que eu quero. É o que eu quero. Você ouve minhas lágrimas? Você pode continuar me abraçando assim?



Obrigada. Isso é tudo.
E ainda é tão nada...


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