Quando a frequência da garoa vira vento úmido e eu confundo os dois


E ela disse assim: " "
Não disse nada, vê-se pelo vento forte que se passa pelos parênteses. Éramos quase parentes. O que nos fez tomar um rumo assim, distante e beirando o miserável? Direi que sinto falta, direi que ainda lhe amo com parte do coração que você fez apodrecer. Mas não conseguirei dar às palavras significado, pois, uma vez passando pela laringe, sangrará até a garganta, e o som será um choro desesperado.
Humilhada: palavra mais satisfatória não há para descrever meu rosto, essa placa na minha testa com o rodapé gravado em "Eu tentei". Céus, como tentei! Atitude minha se igualou àquele cachorro manso da rua; pode-se espantar e espancar, que volta para pedir comida. Era assim conosco; você me deu seis costas e eu as devorei como se fossem costelas. A pior parte é que nunca estava satisfeita.
E percebe como indiquei as coisas no passado? É porque me sinto mais confortável com isso, serve de maquiagem barata por cima do chaga aberto. A única coisa ruim é que cheira mal. Não, ruim mesmo é que só eu sinto o cheiro. Eu me entreguei e me fiz de capacho, você apenas pisou. Mas, sabe o quê? O capacho dura muito mais do que qualquer tapete: ele resiste às chuvas fora de casa e à lama das solas de sapato. Talvez eu esteja começando a achar meu solo: é esse no qual piso.
Estou começando a me sentir em casa novamente: a quaresma está vindo e nela haverá dois jejuns: o de você (pois apenas me abala) e o de refrigerante. Apenas me abala devido ao efeito que você tem em mim; é a bala sem eu ter feito nada. Então você está sendo retirada de mim, é uma flecha que atravessou minha nuca, mas ainda tenho que retirar pelo gogó.
Mas tenho punho, sei que sou forte, sei que o coração que está pulsando aqui é demasiadamente capaz de conseguir algo que me faça bem. Desistir de você está sendo como parar com o cigarro, mas de forma mais acentuada.
Sem mais olhos inchados por uma semana, sem problemas físicos pelo tipo de comoção que você me traz, sem mais você. Eu tentei, amiga, mas você me tirou do eixo como nunca ninguém conseguiu. Eu tenho meu valor e seu disso. Você não merece o quão grande eu sou e como poderia ter te ajudado. Eu acordarei ainda, e pensarei em coisas que não sejam você. Está difícil agora: a flecha está na minha laringe, lembra-se?
Mas o agora será o antes de amanhã. Raios de luz já passam por meus olhos.



Para o terceiro comentário anônimo do texto anterior: (não sei se você está lendo mesmo) Não entendi o seu endereço. Poderia me passar o link? Eu vou adorar ler alguma coisa sua, tenho certeza, pois você se identificou com todo esse meu exagero então temos ao menos algo em comum (e quero muito ver o que é!). Obrigada.

Outras coisas: fiquei por um momento envergonhada pois minha professora tem lido meu blog, e nele tem umas coisas um pouco eróticas. Sei que ela conhece muito melhor essa parte do que eu, mas é lago constrangedor. Pensei em maneirar, mas não posso: isso é meu, é minha literatura, e não posso lapidá-la para qualquer um que não seja eu, o prejuízo virá para mim depois. E lembrem-se que nem sempre o que escrevo é o que vivo no momento: por vezes, são coisas passadas que só agora entendi, por outras vezes, são pensamentos que tenho por flashes mas que não me pertencem, então crio personagens que são muito mais donos deles. Acho que estou voltando a escrever. Essa postagem não me fez chorar, mas é muito real, e é da minha vida pessoal (sei que nunca digo quando é realmente meu ou não, mas temos aqui uma excessão). Por último: obrigada por quem leu até aqui e pelos admiradores que ainda encontram no meu caótico um abrigo, seja por identificação ou simples admiração. Significa mais do vocês possam imaginar.

5 escafandrinhos disseram algo:

Franck disse...

Aqui, matando saudades dos seus escritos! Tbém para avisá-la que publiquei um livro, passa no blog para visualizar a capa e quem sabe não pinta a vontade de ter um?
Bjs*

Anônimo disse...

Agora sim to reconhecendo vc =]...

AEHUhauehuaeuae...

Finalmente de volta hein Lê!
espero ter ajudado, pq vc ta me ajudando tbm de um jeito ou de outro aqui no blog ;]

Ja resolvi o problema de sabado com o Vitinho tbm... Beijo Lê... teh breve =*

L. Sampaio disse...

Identifiquei-me com o texto, já passei por uma situação dessa de se sentir humilhada. É bem doloroso mesmo como descrevestes.
Beijos, bom feriado.

Anônimo disse...

Estou lendo sim.
Ahh, eu li o texto "A despedida" e achei excelente!!
Esse seu tipo de escrita inspira mt os leitores. Parabéns pelo seu talento! =D
O meu blog é esse aqui ~> www.snoowglobe.blogspot.com

Anônimo disse...

Fiquei feliz por ter recebido o primeiro comentário lá no blog =D
obs.: eu também não achei sentido nenhum no enredo, mas eu tive uma noite tão "corrida", que acabei ficando com vontade de escrever aquilo que eu ia lembrando, só pra ver no que dava... ai virou aquela gororoba uahsuahsuh mas foi boa a experiencia <ol