Agridoce

Sinto que não deveria estar postando isso. Já está mais do que escancarado esse blog: até as meninas da sala falaram que leram. Mas se o poeta deve ser ele mesmo e como nem suas personagens o esconde, que seja postado. (medo)

Foi no chão. De madeira, aqueles tacos enormes de apartamento que ninguém dá muito valor mesmo tendo custado uma fortuna.
Se a vida é um caos, aquilo foi o mais perto da insanidade que já se viu. No mundo!
Como possível se torna algo tão improvável; e pior: como sustenta-se depois do fim? Sem meias palavras, então. Que se façam as frases.
Tudo é novo por aqui. Os corpos, os sentimentos, os fragmentos de fogos de artifício que cuidam de seu ofício de explodir mesmo que ninguém vá ouvir. E no meio da novidade, há cócegas. Do tipo pior que existirá. Porque não é feita com os dedos e não é rida com a garganta. É feita pelos olhos e apenas assentida pelo peito — não seio, peito.
Ainda com o romantismo há quem confunda amor com sexo. Não ouve sexo. Aliás, sexo pode ser tão rude enquanto o amor, por mais violento que seja, ainda é doce. Ou então, pela violêcia, agridoce. Mas que não se confunda desejo com ternura.
Porque ternura é o que está em mim e desejo é o que está em outro homem pela rua. Não quero que me confundam com vulgar, pois não a sou. Prometi de joelhos que não haverá adultério, e pago para não ver que realmente não haverá. Pago para não ver porque não preciso provar nada a mim mesma uma vez que sou em quem ordena meus passos.
Minhas unhas passaram por ele. Sem sorrisos ao ler, por favor. Depois, — Diógenes, sei que você está engolindo as palavras ou rindo delas — depois minha testa virou tafetá plissado. Depois minhas mãos viraram carroças e seu corpo virou estrada de terra. Eu gosto do campo.
Sempre estiveram esses olhos escondendo algo atrás, prendendo uma tenda sobre o que realmente se passava por eles. Mas ele foi fogo em pano, óculos de claro. Estendeu as estradas e as carroças viraram carruagens de ouro.
—Você tem o meu amor.
—Tenho mesmo?
E assentiu com a cabeça.
Veja: não preciso de carruagens. Não preciso de apego à nada. Preciso aprender a ser sábia do outro jeito, a ser madura mais por dentro do que pela boca. Pois é fácil se esforçar para merecer algo, mas ser digno daquilo realmente é uma questão de dom. Na verdade, vi em algum lugar que mais vale não ter e merecer algo do que tê-lo e não merecê-lo. Pois se espatifa pelo chão e o estrago não se instala uma vez em mãos erradas seja lá o que for.
E do chão fomos para o campo, onde o lirismo não é tosco e alegorias são literais — aliás, uma vez reais não são alegorias e sim verdades.
Tão bonito ele. E tão assim por dentro também. Se for acabar, que acabe realmente um dia. Mas que deixe lembranças agridoces para que eu não tenha que passar o resto de mim vivendo com apenas sexo.

12 escafandrinhos disseram algo:

Anônimo disse...

Lindo! ... to começando a ficar curioso pra saber quem eh esse tal de Diógenes...
Ele riria de algo assim?

Não pouco...
acho..
suspeito =*

Rodolpho Padovani disse...

Pela sua breve introdução, pude perceber que esse texto tem muito de você, mas qual texto que escrevemos que não colocamos um pouco de nossa essência?
Seu conto ficou intenso, como um desabafo que precisava ser feito. Gostei muito.

Bjs =)

Bell Souza disse...

Ainda digerindo certas partes! Não tenha medo de se expor; pra quem escrever, isso faz parte. Sexo X Amor... não é novidade, mas o que define a relação é como cada um ver esses dois sentimento-ações, que realmente, são indispensáveis.

Franck disse...

Qdo não for doce, ou salgado, que seja agridoce! Bjs e um bom fim de semana!

Thais Cristina, disse...

Ah, Letícia!
Você não deve ter vergonha de escrever o que sente - mesmo essa frase pra mim tenha soado como: faça o que digo e não o que faço.

Sério, amor é um sentimento muito grande pra ficar engaiolado, então solta essa "fera" dentro de você.

- confesso que ri com essa última frase -

Mas como adoro tudo o que você escreve e acabo ficando meio suspeita, paro por aqui.

Beijos :)

p.s: voltei pro blog! \o/

Vanessa Monique disse...

Linda, etsava faltando aki neh?! Mas é a correria,mudei um monte de coisas lá no blog, não podia deixar de vir aki ler seus textos.

www.vanessamonique.blogspot.com
:*

Winny Trindade disse...

Esse episódio não será lembrado nunca como apenas sexo. Será sempre mais do que isso, bem mais. Será carinho, amor, sussurros e o agridoce, é claro.

Abraço meu, doce Letícia.

Jeniffer Yara disse...

Sexo não se faz grande coisa sem amor,e pelo texto,acredito que esse momento,será uma lembrança doce(agridoce),mesmo que um dia acabe.

Como sempre escrevendo lindamente,amo vir aqui e ler seus textos baseados em vida real(ou não),me perco nas palavras.E não tenha vergonha de mostrar seu blog é ninguém. ;)
Beijos.

Lury Sampaio disse...

"Mas que deixe lembranças agridoces para que eu não tenha que passar o resto de mim vivendo com apenas sexo."
E são tantos que nos deixam com essas tais lembranças...
beijos.

Ғelipe Eller disse...

Seu texto é tão intenso e as entrelinhas são tão interessantes quanto o texto completo em si. Há sentimento em cada palavra - e desejo também, porque não?
Excelente texto. Fico me perguntando o que mais de tão belo sua cabecinha ainda nos esconde.. Transforme em posts, rs! Beijo :D

@BiaRibass disse...

amiiiiga linda. já participou de algum concurso ou algo no genero? seus textos me fazer arrepiar guria.

su texto, agora, me fez refletir sobre a suavidade e a rebeldia, e me peguei pensando que ser suave não é tão legal, e ser rebelde tbm não, mas se misturar os dois, sai uma bela torta! 'hihihi

Amr, vou escrever textos mais longos, e sobre a minha foto, obrigadaaa. Kisses Kisses.

Au disse...

(Tinha quase certeza que já havia comentado nesse post, mas como sempre leio os blogs no trabalho, acho que li o texto, cheguei a fazer o comentário, mas quando fui enviar meu chefe apareceu ao meu lado – não é a primeira vez que isso acontece!)

Ótimo texto, cheio de entrelinhas, carinho e vontades...
Gosto de pessoas que conseguem ver que para ser e se tornar especial não é necessário ser perfeito ao modo convencional, afinal, a carruagem está fora de moda mesmo! :~

Beijo!