A boca, Bia!

Crônica para a segunda fase da gincana do UOAT. Desejem-me sorte?

O pagode alto, cerveja nas mãos, letra de música saindo pela boca. A mulher cantava desafinada:

"Existe um mundo melhor
Mas é caríssimo
Pra não ficar pior
Vem cá me fazer carinho"

E os refrões se prolongavam numa bagunça de dar caretas. Eu, conselheira que sou, já comecei a advertir minha amiga.
— Bia, vamos para a cabine. Aqui está muito quente, esse navio balançando está me dando enjoo. — Ela me olhou revirando os olhos. — Estou falando sério, você já está começando a se exaltar.
— Amiga, relaxa. Fim de ano, calor, gente bonita, quero terminar minha cerveja.
E eis que, quando diz calor, o mesmo trata de sumir do ar. As nuvens chegam à festa, o Sol sai para dar uma volta e o vento começa a agitar ainda mais o navio.

Uns metros distante de nós estava um homem. Corpo másculo mesmo, bronzeado e cheio de músculo. Pude perceber porque lhe faltava a camiseta. A garoa começava a cair, e ele ali, sem ter com o que cobrir aquela maravilha de barriga. Quando nos viu, veio em nossa direção.
— Olá, garotas. Vocês viram uma blusa branca com um tubarão? Estava com ela até um tempo atrás, tirei e agora perdi.
Bia, que não perdia um xaveco por nada — principalmente quando animada — já foi dando em cima do homem.
— Será que você precisa mesmo dessa blusa? Acho que peguei e escondi lá na minha mala. Só indo até minha cama pra ver se encontra.
O homem corou. Mas macho que era, já tinha a resposta na ponta da boca.
— Opa, gata, mas molhado assim, e gelado, ninguém vai me querer. Estou com frio mesmo, essa chuva começou do nada. Se vir algum pano branco por aí, me avisa. Valeu. — E saiu andando. Senti pena dele, estava com muito frio.
Vendo suas costas — e talvez um pouco abaixo — Bia suspirou.
— Eita... desperdício viu.
— Bia, amiga, agora chega. Vamos para a cabine.
Fomos. E lá dormimos como anjos, sem nem fazer o esforço de fechar os olhos.
Com a buzina alta do navio no dia seguinte, pulei da cama. Bia na ressaca, como o óbvio previa. Levantei e fiz com que ela fizesse o mesmo. Ela revirava, revirava sua mala.
E não é que no meio de toda aquela roupa estava uma camiseta branca? Ali, com um tubarão bravo dizendo: "Cuidado com essa boca, Biatriz!"
— Não vai ao segundo dia do pagode, Bia? — Disse no deboche.
E não, não recebi uma resposta verbal.

8 escafandrinhos disseram algo:

Thais Cristina, disse...

Adorei o texto, mesmo.
Bem leve, descontraído... com aquela pontinha de humor inteligente.
Ficou realmente muito bom!

Ah, boa sorte flor :)

Letícia Monteiro disse...

Olha a boca Bia!
OSIAOSAISOAIAOSAOSAIAOI'
Boa sorte no Ouat (:
beeijoo :*

Milena' disse...

A todas as Bias desse Brasil: Cala a boca, por favor.
hahahaha
Boa Sorte, Lêtícia!
:*

Sara Roosevelt disse...

HSUAHSUAHSA
ADOREI LETÍCIA!
shuahsauhsa ...

Áh Bia, DOIDONA shuahsa .

Sara Roosevelt disse...

e ah boa sorte!
Por mim vc já era a vencedora! =]]

Larissa C disse...

oaueue, gosteei
adoro seu estilo de escrever (:
bjs

Jeniffer Yara disse...

Amei o texto! haha Bem divertido,confesso que fiquei imaginando o cara sem camisa,mas tudo bem,rs

Você escreve muito bem suas narrações! *_*

Beijos

Manuh *.* disse...

sempre adoro seus contos. você consegue colocar cada visão neles.
adoro.
xxx