Labirintisse

Não sei por que ainda olho para o que tem fora da minha janela em busca de inspiração. Isso nunca funcionou e não vai funcionar, mas eu ainda fico olhando, cega à tudo, esperando que idéias sensacionais pipoquem em minha mente de forma repentina.

Não aprendo nunca, murmuro para mim mesma. Nunca sei quando amo demais, nem quando odeio demais. Nunca sei se estou sendo precipitada, ou relaxada. Nunca sei quando parar, nem começar, nem diminuir, nem aumentar.

Mas sou assim, e tenho que me acostumar com o que sou. Caso contrário, ser será impraticável. E é nesse ponto que caio naquele velho e estúpido labirinto. Não me aceito, não concordo comigo mesma, não sei me permitir. Quero ser sempre perfeita, quando minha própria existência é errante.

E como me aceitar imperfeita quando tudo que me cerca segue confiante rumo à valores impecáveis? Me perco em contradições, como sempre.

Mas por hoje, vou fechar essas cortinas e parar de, como eu mesma digo, devaneiar. Uma tempestade está chegando, e não quero que meus móveis perfeitamente limpos fiquem sujos. Então vou me deitar para sonhar com o labirinto.

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