A verdade é que


Estou sem critatividade para criar mais textos. Eu tive a idéia, então, de tirar um trecho de um livro que gosto muito, do meu escritor preferido, Michael Ende. O livro se chama "Momo e o Senhor do Tempo", mas em algumas edições antigas, levava o nome de "Malu, a Menina que Sabia Ouvir". Enfim, vou resumir bem brevemente o pouco que lembro do enredo, que conheci acho que há 1 ano e meio.

Momo era uma criança que surgira nas ruínas de um antigo anfiteatro, no berço da civilização. Ela andava vestida em trapos e sua aparência podia assustar quem não a conhecia anteriormente. A menina andava pela vizinhança e era sustentada pelas pessoas que lá moravam. Tudo corria bem, e Momo tinha seus amigos felizes, até que de repente, foram surgindo na cidade homens de aparência profissional, quero dizer, terno com maleta na mão, e eram todos pálidos e usavam óculos escuros mesmo em ambientes com pouca iluminação. Esses homens abordavam os moradores da cidade onde Momo morava e fazia com que criassem uma "conta bancária de horas", na qual eles depositavam as horas que poupavam de seu dia para utilizá-las nos futuro. O problema era que esse tempo poupado era o tempo de lazer que essas pessoas tinham, e como quanto mais tempo poupavam mais tempo teriam no futuro, começaram a tirar não só suas horas de lazer, mas também reuniões de família, horas de sono etc... De pouco em pouco, todos já tinham essa conta, e Momo, vendo que nem seus amigos brincavam mais nas ruas para economizar tempo, procurou ajuda. Ela descobriu que esses chamados "Homens Cinzentos" precisavam do tempo das pessoas para sobreviver (na verdade, há toda uma explicação dada pelo autor, mas vou economizar linhas aqui), e o único jeito de impedi-los era queimar todo seu estoque de tempo. É aí que Momo conhece o "Senhor do Tempo", que a ajuda com essa missão. No final fica tudo certo para todo mundo (lógico, é um romance infanto-juvenil, não sejamos tão trágicos) e a história acaba com esse fantástico pós-fácio de Michael Ende (o autor):

"Talvez alguns de meus leitores tenham muitas perguntas em seu coração. Mas temo que não poderei ajudá-los. Devo confessar que escrevi esta história unicamente de memória, tal como me foi contada. Não conheci Momo nem seus amigos pessoalmente. Nem sei o que lhes aconteceu depois e como estão hoje. Quanto à grande cidade (a qual Momo habitava), só posso fazer suposições.
A única coisa que posso acrescentar é o seguinte:
Eu estava fazendo uma longa viagem (aliás, ainda estou), quando certa noite compartilhei a cabine de um trem com um passageiro muito estranho. Estranho no sentido de que eu não conseguia avaliar sua idade. No inpicio, achei que estava sentado diante de um velho. Logo vi, no entanto, que havia me enganado, pois meu companheito de viagem pareceu-me, de repente, muito jovem. Também essa impressão revelou-se falsa.
Seja como for, ele me contou toda esta história durante a longa viagem.
Quando terminou, nós dois ficamos em silêncio por alguns momentos. Então o passageiro enigmático acrescentou mais uma frase, que não posso deixar de transmitir aos leitores.
'Contei-lhe essa história', disse ele, 'como se já tivesse acontecido. Mas também poderia ter contado como se fosse aocntecer no futuro. Para mim, não há muita diferença.'
Ele deve ter descido na estação seguinte, pois depois de alguns momentos percebi que estava sozinho na cabine. Infelizmente, não mais o encontrei.
Mas, se algum dia voltasse a encontrá-lo, gostaria de lhe fazer muitas perguntas."

Devo admitir: quando estava fuçando meus livros do ano passado e abri no final para ler o pós-facio de Michael, eu me lembrei de algumas frases. Quando li a parte que ele falou que podia ter contado como se fosse no futuro, minha coluna inteira se arrepiou, e até eu terminar de ler o texto, os arrepios foram aumentando.
Eu tenho uma ligação tão forte com esse escritor... Eu tenho muito dele dentro de mim, e quando leio o que ele escreve, vou para o mundo da fantasia, literalmente. É uma pena que nunca vou poder vê-lo, mas li que foi até mesmo perseguido por Hitler, pois seus pais eram judeus, e seu pai era um pintor, e todo movimento que podia influenciar a população a ter uma opnião contrária a que o governo pregava era banido. Daí a preocupação com um pintor e um escritor. De qualquer forma, é triste saber que nunca vou poder conversar com ele. Era alemão, para aqueles que não sabem.



Algumas outras obras famosas> "A História Sem Fim", "Jim Knopf", "Espelho no Espelho"(não mais poublicado). Espero que tenham gostado. Nada mal para alguem sem inspiração, hein?

0 escafandrinhos disseram algo: