Nós, nossa língua


Estranho sentir-me acordada enquanto durmo, pois adormeço em minhas dúvidas. Horas não importam, minutos são miseráveis perto do que sinto. Mas não quero falar do que sinto, e sim do que penso. Talvez seja complicado fazer uma coisa sem a outra, pois ao sentir nada, não tenho o que pensar.
Estava querendo nos últimos quatro dias escrever algo a partir do que vivo. Drummond me disse que não é possível - ou reconhecícel - um texto assim. Então estou buscando um lugar do qual eu possa tirar e amadurecer minha poesia pessoal, e não tentar fazer com que as pessoas reconheçam isso. E em uma das dez cartas ao jovem poeta, li que esse lugar é o que somos: nossa alma.
Eu já respondi a uma das questões da carta pois me senti no direito. A questão é se eu escrevo por possuir esse direito, ou se é por necessidade. Minha resposta foi a última alternativa. Eu simplesmente me perco sem escrever. E isso porque não publico nem metade do que escrevo. A partir de agora, então, direi o menos possível, parcialmente seguindo o que Clarisse disse ser o papel do escritor: "Falar o menos possível".
Curioso, acabo de relatar o que sinto. Isso torna o texto vago. Até pouco atrás, todos os meus conceitos de escrita, poesia e literatura eram estáveis. Agora tudo se bagunça e não sei em quem acredito. Não achei o texto vago: há nele - . Há nele o que?
Se nem eu sei dizer, melhor não esperar que respondam por mim. Então vou me arriscar: há nele vida. Nem que seja só a minha.

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