Talk it through, with you




"Então o coração se dividia em duas partes:
Aquela que despedaçara
E a que aguardava relutante,
Achando que ainda havia um fim naquele túnel escuro"


Estava vendo o garoto desabar na minha frente e isso me causava repulsa.
E o pior é que não era repulsa dele, era de mim mesma, por minha própria alma.
O fato de não conseguir achar bons argumentos para reconfortá-lo me fazia querer correr descordenadamente pelo quarto, em círculos não definidos, até que a frustração cessasse.
Não havia nada que eu pudesse dizer, nada plausível, nada inteligível para alguém na situação dele. Então eu o assitia quebrar sem poder dizer nada.
Já me sentira inútil antes, mas não em tal escala. Repetia para mim mesma minha vontade de estar ao lado dele, e poder abraçá-lo forte, até que toda sua tristeza se dissolvesse em alívio, e a sensação que ainda não sei o nome, aquela que se sente ao chegar em casa depois de estar em perigo, o tomasse por completo.
Será que é assim que uma mãe se sente ao ver o filho se cortar? Querer insana e desesperadamente curá-lo, mas não poder? Se não era isso, era pior.
Então deliberei algumas frases, com a maior cautela e zelação possíveis, para que talvez o fizesse sentir melhor. Ele acredita em Deus, e isso me faz amá-lo mais do que nunca. Tenho medo de expressar o que sinto, e ser rejeitada. Porque sempre rejeitei. Sou uma quebradora de corações desde o começo de meus relacionamentos.
Sou sempre eu que digo quando parar, o que fazer. Sou do tipo que administra a relação, mas agora sinto como se a mesa estivesse sido virada e outro jogo de cartas - um que nunca vi antes - tivesse sido me dado sem o direito de fala, ou argumentação. É como estar vulnerável sempre. Uma manipuladora sendo rebaixada à pau mandado. O medo está em toda parte: medo de que acabemos, medo de dizer alguma coisa que não lhe agrade.
Mas parece que é de quem mais gostei até agora, mesmo não entendendo muito desse mundo. Mesmo ele nunca tendo vivido nada que chegasse perto do que eu já vivi. E pelo menos ele não tem consciência disso. Talvez tenha e não o fale.
A única coisa que quero agora é ver um sorriso naquele rosto lindo, fazer um gancho com meu dedo indicador e arrastar seu queixo para perto do meu, e abraçá-lo, porque amo o abraço dele.


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Texto verídico, da minha vida pessoal (porque isso é um diário, não se esqueçam), mas com certeza exagerado na maioria das partes.
Ok, quase todas. Eu exagerei demais.
Se não tivesse tanto exagero, talvez não havieria interesse pela parte do leitor. Nós gostamos de "extremismo", e ainda não sabemos.
Então, agora sabem.
Obrigada mesmo para a negadenha que está me seguindo, vocês não sabem o quanto eu quero que leiam o que escrevo. Me faz sentir importante.

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