Por dentro

Eu nunca fui boa em esquecer. Lembranças são como jóias, e eu as guardo em mim como Pandora fazia com sua caixa. Guardo com tanta intensidade que ás vezes tenho medo de que quando for revirá-las, algo explosivamente grandioso sairá causando acidentes pelo mundo.
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Mas eu me perco nesses delírios e possibilidades, e quando volto à realidade, vejo que sou só eu mesma com meus palpites pouco prováveis, a mesma coisa de sempre. Eu devo parecer uma louca para quem não me conhece e de repente começa a ler tudo isso.

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Meu mundo é um pouco estranho. Ele é meu abrigo, aonde eu posso me esconder quando os problemas de fora crescem mais do que o suportável.

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Sua porta? Os livros.
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Literatura, poesia, música, filmes de fantasia. Tudo me atrai tal como imã e metal. E a desvantagem de me esconder no meu próprio mundo é que, cedo ou tarde, os rumores negativos começam. Mas o fato de eu não ligar para o que o alheio pensa não quer dizer que não possa recontar seus dizeres.
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Dizem que quem se proteje demais do mundo de fora e vive só no mundo de dentro vai se deteriorando aos poucos. Pois eu penso justamente o contrário.
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Quanto melhor você se conhecer, com mais fecilidade enfrentará o que virá a acontecer. Maturidade vem de fora para dentro, quando lhe é apresentada, e uma vez dentro de você, é de dentro para fora. Ela amadurece em você até que você possa usá-la, e é nesse meio tempo que o mundo interior age.
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Mas quanta coisa eu tenho para dizer. Poderia passar horas escrevendo, e no final, a porção do que disse seria mísera perto da restante. Mas devo voltar ao título: lembranças.
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Queria que tudo fosse do jeito como sempre foi. Não gosto de mudanças, só gosto de seus resultados. Minha amiga foi para outra cidade e não vou vê-la por alguns anos. Isso mexeu comigo, e me deixou perdida, devaneiando pelos cantos. O que vai acontecer? Qual é a próxima ação do destino? Eu me pergunto.
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Mas eu já sei da resposta: vai dar tudo certo. Porque sempre dá. Esse ano foi maravilhoso e o que segue há de ser melhor ainda; porque Deus sempre está do meu lado. Mas o conflito está em superar a "perda". Depois de alguns meses, eu sei o que vou fazer. Vou começar a escutar as músicas que escuto nesse tempo, e minha alma vai se arrepiar, como num deja vú, e todas as lembranças vão ser jogadas em minha face como água fria depois de um banho quente.
"Por que não passou mais tempo com ela enquanto pode?" Essa perguntavai me atordoar, tenho certeza absoluta. Porque eu sempre me arrependo, mesmo quando não me arrepender é uma das minha principais e mais bem sucedidas metas.
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Eu fiz o que pude enquanto pude, e nós tivemos um ótimo final de semana. Eu não vou me esquecer disso nunca, ela é uma amiga muito, muito especial. E eu vou sentir muito a sua falta. E sua lembrança vai ter seu canto especial em minha caixa particular de sentimentos. Como Pandora, antes de Epimeteu. Como uma alma perdida antes de seu único amor. Como tudo que me cerca.

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